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15/12/2017

Cisterneira formada pela CMN promove oficina de construção de cisternas no Recife



O curso de formação de cisterneiras promovido pela Casa da Mulher do Nordeste, em parceria com o P1MC/ASA, rendeu frutos promissores. Um deles foi a agricultora Luzia Porfírio, 46 anos, da comunidade de Barreiros, no município de Solidão, que hoje é uma das referências da CMN quando o assunto é construção de cisternas. Ela está em Aldeia, na Região Metropolitana do Recife, de hoje até o dia 17 de dezembro, para repassar seus conhecimentos como pedreira de cisternas para quatro jovens estudantes da cidade.

Formada em março deste ano como cisterneira, Luzia já participou de outros cursos da CMN como o da construção de fogões agroecológicos. A sertaneja já ergueu, ao todo, mais de 20 fogões desde sua formação e mais de 10 cisternas em vários municípios do sertão pernambucano. Rompendo as fronteiras do semiárido, essa é a primeira vez que ela constrói cisternas na cidade do Recife.

“A gente cresce nessa cultura machista e patriarcal que diz que mulher não faz trabalho pesado e que carrega essa ideologia da feminilidade. Quando você vê Luzia assim na prática trabalhando e ensinando, ela esta descontruindo todo esse processo histórico que vem colocando a mulher num contexto de fragilidade, que não aguenta trabalho, não poder fazer isso ou aquilo”, destaca Karine Freitas, estudante de história e uma das participantes dessa oficina do Recife.

Para a estudante de Ciências Biológicas da UFRPE, Thayná Vanessa, que também participa da oficina, Luzia pode ser considerada uma inspiração para todas as mulheres. “Isso é diferente de tudo que já fiz na minha vida, pois nós mulheres nunca somos incentivadas a colocar realmente a mão na massa com esse tipo de serviço, como na questão de construções, por exemplo. Não temos essa autonomia, sempre dependemos de algum homem na maioria das vezes, pois essa não é vista como uma atividade que a gente pode fazer, porque teoricamente não temos capacidade ou não temos força suficiente. Luzia inspira outras mulheres a perceberem que são capazes de realizar qualquer coisa que elas quiserem”, enfatiza.

É na propriedade de Laeticia Jalil, professora de sociologia na Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE e doutora pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/UFRRJ, que a troca de experiências entre Luzia e as universitárias está acontecendo. “Optar por uma tecnologia social sustentável como é a cisterna de placas é colocar em prática o que discutimos na vida e em sala de aula. Isso é ser mais coerente com nossa maneira de pensar e ter escolhido uma mulher cisterneira para esse processo, fortalece nosso ciclo como feministas e de enfrentamento ao machismo”, reforça a professora.
 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da CMN

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