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14/12/2017

Verbo empoderar nunca foi tão necessário em 2017



Mulheres participam de curso de pedreiras no Pajeú Foto: Ana Lira 


A primeira coisa que vem a nossa cabeça quando falamos em poder, é a relação da palavra como sinônimo de autoridade e supremacia de algum indivíduo ou entidade. Mas quando falamos de empoderamento feminino, estamos querendo despertar a consciência das pessoas para outra coisa, que nada se assemelha ao ponto de vista do poder em si. A palavra, considerada um símbolo feminista nos tempos atuais, significa para nós, mulheres, o desenvolvimento da nossa autonomia e o fortalecimento das nossas habilidades e capacidades, dando a margem para que a mulher tenha a oportunidade de dizer “eu posso e eu sou capaz”.

Em 2017, a Casa da Mulher do Nordeste trabalhou intensamente para que esse empoderamento feminino fosse acessado pelo o maior número de mulheres possíveis, tanto no campo como na cidade. Ao todo, 341 mulheres do Sertão do Pajeú que foram atendidas pelo programa Mulher, Trabalho e Vida Rural puderam adquirir mais autonomia na gestão e no acesso aos recursos naturais, a partir das tecnologias sociais como o reuso de água, a cisterna de primeira água, bancos de sementes e os fogões agroecológicos. Cerca de 336 mulheres adquiriram mais conhecimento e apropriação nas construções das tecnologias sociais e 17 estão formadas como mulheres pedreiras na construção de cisternas de primeira água, fogão agroecológico e reuso de água.

Essa conquista só foi possível com a viabilidade das políticas públicas de ATER que foram executadas pelas organizações, diferente do que nos espera no próximo ano com os cortes de recursos públicos. “O reconhecimento das mulheres rurais como trabalhadoras, foi travado através de muitas lutas e conquistas. Como o acesso aos direitos à aposentadoria, aos benefícios sociais e às políticas de fortalecimento econômico como: o crédito, a ATER, à comercialização, a terra e a água. Muitos foram os programas e projetos construídos nesse campo. A auto-organização das mulheres rurais, seja enquanto movimentos autônomos ou nos movimentos mistos, foi uma importante estratégia do movimento feminista”, explica Graciete Santos, coordenadora geral da CMN.

As mulheres do campo também tem marcado presença nos espaços de decisão da região do Pajeú. Somente este ano, mais de 110 mulheres ocupam esses espaços, que são de promoção do desenvolvimento territorial, da agroecologia e da convivência com o semiárido na perspectiva dos direitos das mulheres. Este ano, Afogados da Ingazeira inaugurou a Delegacia Especializada da Mulher depois de muita reivindicação do movimento de mulheres da região.

Para Graciete Santos, a Casa da Mulher do Nordeste vem participando e contribuindo na luta pelo fortalecimento das mulheres rurais e o seu acesso às políticas públicas como a ATER, o crédito e as tecnologias de acesso à água entre outras, que visam a melhoria das condições de vida das mulheres. “Desde de 2003 a CMN promove suas ações no Sertão do Pajeú com mulheres agricultoras, fortalecendo sua organização política e sua autonomia econômica. Foram muitas as ações realizadas, como a Escola Feminista; o fortalecimento da produção agroecológica, comercialização dos quintais das mulheres como espaços produtivos e de geração de renda, e o desenvolvimento de tecnologias sociais. Portanto, a valorização das mulheres rurais como sujeitos produtivos, econômicos e portadoras de direitos, são elementos fundamentais para a autonomia política e econômica”, finaliza.

Em Recife, 30 mulheres assessoradas pelo programa Mulher, Trabalho e Vida Urbana estão mais fortalecidas na sua auto-organização e ativismo pelo direito à creche, escola e moradia. Com a juventude, 25 jovens mulheres entre 15 a 29 anos que fazem parte do projeto Mulheres Organizadas para o Desenvolvimento Local, Humano e Sustentável, executado pela Casa da Mulher do Nordeste em parceria com a ActionAid, da comunidade de Passarinho, na Zona Norte da capital pernambucana, se consideram mais apropriadas dos seus direitos à cidade, utilizando esses conhecimentos na sua vivencia enquanto sujeito de direito.

“Com o trabalho da Casa da Mulher do Nordeste, as jovens de Passarinho conseguiram perceber ainda mais as violências e violações que elas sofrem no cotidiano por serem mulheres periféricas, jovens e na grande maioria negras. A gente dialogou muito sobre esse pertencimento delas nas relações cotidianas dentro dos seus bairros e as violências que elas sofrem, principalmente por conta do machismo e da desigualdade social que traz na vivência dessa juventude. Elas começaram a se empoderar mais sobre seus direitos de pertencimento desse corpo feminino dentro de um local que tem tantas violências”, afirmou Anabelly Brederodes, técnica educadora da CMN.

Em tempos difíceis vivenciados no atual contexto político, com retrocessos nos processos democráticos, perdas de direitos, e a exploração e precarização do trabalho feminino, o empoderamento das mulheres é essencial para afirmar o projeto feminista, que traz como um de seus pilares a autonomia política e econômica como questões indissociáveis da transformação do modelo social e da democracia no país.
 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da CMN

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