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27/11/2017

CMN participa da 14ª edição do EFLAC



A Casa da Mulher do Nordeste (CMN) marcou presença na 14ª edição do Encontro Feminista Latino Americano e Caribenho (EFLAC), que aconteceu na capital uruguaia de 23 a 25 de novembro e culminou com a grande marcha para comemorar o Dia Internacional de Luta pela Não-Violência Contra Mulher. Os debates do encontro abordaram, dentre inúmeros temas, o racismo, a discriminação, economia feminista, autonomia e poder da mulher, a liberdade e direito de decisão sobre seu corpo e as diferentes formas de violência. Além disso, foram discutidas questões relacionadas à democracia, ao estado secular e ao fundamentalismo, os nomes de feminismos, guerras e resistência coletiva, violência de gênero, entre outros.

As mulheres que estiveram reunidas durante os três dias do EFLAC puderam se integrar com a pluralidade e a diversidade de bandeiras que fez do encontro um espaço extremamente valioso para os movimentos feministas. “Pra mim, participar do encontro foi a oportunidade de estar em contato com mulheres da América Latina e penso que precisamos fortalecer essa conexão com os movimentos feministas de outros lugares do mundo. No EFLAC foi forte a luta das transsexuais, profissionais do sexo e das LGBT”, pontuou Graciete Santos, coordenadora geral da CMN.

No encontro, a Casa da Mulher do Nordeste fez o lançamento da Campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico, da Rede Feminismo e Agroecologia e participou do lançamento da cartilha online “Segurança na Internet: Nossa batalha no campo virtual”. A publicação foi lançada pelas organizações brasileiras Cefêmea, Blogueiras Negras, MariaLab e Universidade Livre Feminista e tem o intuito de ensinar as mulheres a se proteger de ameaças e violências praticadas no ambiente virtual.

Dentre as várias assembleias realizadas durante o evento, uma foi destaque pela importância do seu contexto. Com várias moções, representantes de países como Argentina e Nicarágua protestaram contra violação de direitos humanos das mulheres, contra o fundamentalismo religioso que vem infringindo principalmente o direito das mulheres negras, contra a criminalização delas pela realização de abortos e pelo assassinato de mulheres por seus companheiros. O momento foi um espaço de denúncias de atrocidades que acontecem em diversos países da América Latina. Com gritos de ordem, as feministas lançaram campanhas como meu corpo, meu território e em respeito à diversidade. Na noite do dia 24, alguns movimentos de mulheres do Uruguai, formados na sua maioria por jovens feministas, ocuparam uma praça do centro de Montevidéu para fazer uma vigília pelas mulheres que foram assassinadas no país.

Para Graciete Santos, o encontro foi um momento oportuno de falar sobre o trabalho realizado pelas organizações com outras mulheres de diferentes realidades. “Nesse momento o Brasil, assim como outros países da América Latina, vivem momentos políticos difíceis como golpes e perda de direitos. Vimos que temos muito em comum em nossas diferenças, especialmente as negras, as indígenas e as mais pobres, que sofrem mais com esse contexto. Precisamos nos conectar e fortalecer nossas redes locais e com o continente Latinoamericano”, justifica.

Ainda segundo Graciete, o EFLAC foi um espaço de troca de conhecimento e de experiências, mas que teve algumas falhas. “Faltaram pra mim mais espaços pra discussão das mulheres rurais. Não vi representantes dos movimentos do campo do Brasil. Causou-me espanto também a organização do evento não ter disponibilizado espaço pra acolhimento e cuidado com as crianças das mães presentes. Algumas mulheres que são mães fizeram um ato de repúdio na plenária final, mas a organização não se pronunciou e achei isso bem triste”. Ela ainda reforçou que a ausência de organizações e movimentos feministas brasileiros foi sentida durante o encontro. “Achei muito ruim, pois isso enfraquece nossas lutas e nesse momento político é difícil pra fazermos o enfrentamento necessário sem estarmos unidas”, finaliza.

O Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe terminou neste sábado (25) em Montevidéu com uma grande manifestação para protestar contra a violência sexual, no marco do Dia Internacional de Luta da Não-Violência Contra Mulher. As participantes se reuniram na Avenida 18 de Julho, uma das principais da cidade e fizeram uma caminhada com gitos de ordem pelas ruas da capital. A 14ª edição do EFLAC reuniu quase três mil mulheres de todas as regiões da América Latina e do Caribe sob o lema “Diversas, mas não dispersas”.
 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da CMN

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