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29/11/2017

Caminhada na comunidade do Bode, no bairro do Pina, pede pelo fim da violência contra as mulheres



Na Zona Sul do Recife, integrantes de organizações sociais feministas comemoraram o 25 de novembro

Para marcar o dia internacional da não violência contra a mulher, celebrado neste último sábado, 25 de novembro, o Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE), juntamente com integrantes de organizações parceiras feministas realizaram uma caminhada na comunidade do Bode, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife

Durante o percurso, foram feitas conversas sobre a conscientização para o combate à violência contra a mulher com os moradores e as moradoras da localidade, que acompanharam atentos aos gritos de ordem que pediam pela legalização do aborto, pelo fim do machismo e do patriarcado e por um basta nos casos de racismo e das desigualdades de gênero.

“A data do 25 de novembro é estratégica para todas as organizações de mulheres e feministas que tem compromisso de atuação na defesa de direitos de todas nós. É uma data de denúncia mas é também para marcar uma posição de que nós mulheres não aceitamos o quadro de violência extrema que estamos vivendo. Não aceitamos que o estado não garanta políticas públicas de enfrentamento à violência contra mulher e não aceitamos que os governos não garantam os serviços de atendimento às mulheres em situação de violência”, reforça Mônica Oliveira, integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco.

Números divulgados em agosto deste ano pelo Ministério da Saúde apontaram dados chocantes sobre estupros coletivos no Brasil. Segundo pesquisas, no ano passado o país registrou 3.526 casos de estupros coletivos, o que em média significa dez casos desse tipo de abuso por dia. Dados divulgados pelo Instituto Data Folha em março deste ano, mostram que 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal no ano passado, um total de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das mulheres sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo. E ainda: 3% ou 1,4 milhões de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou pelo menos um tiro.

No estado de Pernambuco, por dia, cerca de 90 mulheres são vítimas de violência, o que significa um caso de agressão a cada 17 minutos. A cada quatro dias, uma mulher é vítima de feminicídio, sendo a grande maioria delas negra.

“São as mulheres negras as maiores vítimas da violência. Somos as maiores vítimas dos homicídios, dos estupros, somos as maiores vítimas de diferentes formas de violência que atingem as mulheres todos os dias. No nosso cotidiano, o machismo e o patriarcado se somam ao racismo, e a gente entende que esse é o principal fator para a violência cotidiana que sofremos”, finaliza Mônica Oliveira.

A data – Esse dia tão importante e fundamental para os movimentos sociais feministas foi instituído em 1999 pela Organização das Nações Unidas (ONU), em homenagem às irmãs Patrícia, Minerva e Antonia Maria Mirabal, da República Dominicana. Elas foram assassinadas em 25 de novembro de 1960, por terem feito oposição à ditadura de Rafael Leônidas Trujillo, que comandou o país entre 1931 e 1961. Seus corpos foram encontrados no fundo de um precipício, estrangulados, com os ossos quebrados. Pouco tempo depois, o ditador foi assassinado.
 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da CMN

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