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15/09/2017

Mulheres divulgam Moção de Repúdio durante Congresso de Agroecologia em Brasília



Apesar de todos os avanços conquistados pelas mulheres na luta pela inclusão feminina nas mesas, painéis e debates do X Congresso Brasileiro, do VI Congresso Latino-Americano e do Seminário do DF de Agroecologia, que acontece em Brasília desde terça-feira (12), a luta ainda continua. Durante a mística de abertura, que falava sobre as Memórias da Agroecologia, apenas homens participaram da formação da mesa, levando as mulheres a protestarem com cartazes durante sua realização.

Na programação desta quinta-feira (14), uma oficina abordou a temática das memórias das mulheres dentro da agroecologia, em contraponto a mesa realizada na abertura do evento. As mulheres construíram um painel intitulado “o Rio da vida”, que contou a história feminina da agroecologia através dos tempos. “Foi importante a Casa da Mulher do Nordeste participar de mais uma edição desse congresso, pois nós percebemos como essa dimensão da agroecologia se expande e se amplia para outros sujeitos. Fica muito claro ainda a forte presença da juventude e das questões étnico-raciais no encontro. Temos muitas discussões abertas, alternativas e uma quantidade enorme de trabalhos que trazem a realidade das mulheres, também de uma perspectiva feminista. Mesmo com isso tudo, ainda vemos que existe muita resistência”, salienta Graciete Santos, coordenadora geral da CMN. A organização apresentou durante o VI Congresso Latino-Americano de Agroecologia, um pôster com os resultados de uma pesquisa sobre as experiências das mulheres do Sertão do Pajeú na preservação da caatinga através dos fogões agroecológicos.

Através de um movimento realizado pelas participantes do evento, uma moção de repúdio criticou as práticas patriarcais, machistas e racistas expressas e reforçadas em alguns espaços que ainda não consideraram as mulheres e sua contribuição na construção da história e da memória da agroecologia. Na publicação, as mulheres reafirmam o lema “Sem Feminismo não há agroecologia”, como referência teórica e base para uma ação política transformadora a partir das experiências das mulheres. Leia na íntegra a moção divulgada no Congresso:

Moção de Repúdio

Nós, mulheres protagonistas da Agroecologia no Brasil e na América Latina, presentes no X Congresso Brasileiro, VI Congresso Latino-Americano e V seminário do DF e Entorno de Agroecologia, ocorridos em Brasília de 12 a 15 de setembro de 2017, vimos através desta repudiar as práticas patriarcais, machistas e racistas expressas e reforçadas em alguns espaços que não consideraram as mulheres e sua contribuição na construção da história e da memória da Agroecologia. Reafirmamos o lema “Sem feminismo não há agroecologia”, como referência teórica e base para uma ação política transformadora a partir das experiências das mulheres, por compreendermos que a luta contra todas as formas de opressão e violência contras as mulheres é um princípio da abordagem sistêmica da Agroecologia como ciência, movimento e prática. As instituições científicas e acadêmicas, as organizações da sociedade civil, os movimentos sociais e o Estado precisam reconhecer e visibilizar as práticas das mulheres do campo, das florestas das águas e das cidades, as juventudes, os povos e comunidades tradicionais como os sujeitos que constroem cotidianamente desde os seus territórios a Agroecologia. Lutamos por uma ciência crítica, descolonizada, despatriarcal, anticapitalista, antirracista, antilesbofóbica, antihomofóbica comprometida com a transformação da sociedade e a construção de novos paradigmas.

Se cuida seu machista, a América Latina vai ser toda feminista! 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da CMN

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