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03/08/2017

Quintal Produtivo oferece novas perspectivas de vida para agricultora do município de Flores



Karla Dayane, da comunidade de Saco do Romão, fala orgulhosa do seu espaço, que está cada vez mais forte e cheio de vida

Qualidade de vida, melhoria na segurança alimentar e nutricional e geração de trabalho e renda. Esses são apenas alguns dos benefícios que o projeto Quintais Produtivos, que teve apoio da Fundação Banco do Brasil, vem trazendo para vida de Karla Dayane, 26 anos, da comunidade de Saco do Romão, no município pernambucano de Flores, no Sertão do Pajeú. Em meio à paisagem árida da Caatinga, o quintal da agricultora permanece cheio de vida, cada vez mais forte e repleto de cores. Junto dele, além de um alimento mais saudável, veio uma nova perspectiva de atividade para a sertaneja.

"Minha vida melhorou muito depois do quintal. Antes eu não conseguia produzir a quantidade de ovos que tenho hoje, não tinha os cercados para os animais. Tudo que eu plantava acabava não pegando porque as cabras comiam tudo. Agora posso vender o que tiro daqui", ressalta Karla, orgulhosa. Além dessa possibilidade de comercializar seus próprios produtos, ela também reforça que os tempos de ociosidade fazem parte do passado. "Ficava muito tempo dentro de casa sem fazer nada. Agora, toda tarde eu saio para aguar minhas plantinhas, para elas não elas morrerem. Eu gosto muito de fazer isso", argumenta.

Essa alternativa de convivência com o Semiárido vem através do processo de assessoria técnica que a Casa da Mulher do Nordeste desenvolve com as mulheres de comunidades rurais. Além do Quintal Produtivo, Karla já participou do Mulheres na Caatinga, da chamada do ATER Mulher e de intercâmbios promovidos pela instituição. Nesses processos de troca de saberes, a agricultora pode participar de formações políticas e agroecológicas; conhecer um pouco mais sobre seus direitos; sobre o combate a violência; sobre autonomia e empoderamento das mulheres; além de fundamentos básicos do feminismo.

"Aprendi um pouco sobre tudo com esses projetos. No Mulheres na Caatinga, ganhei o fogão agroecológico, que facilitou demais minha vida, já que antes eu gastava muito com carvão. Outra coisa boa é que ele usa pouca lenha e num instante cozinha as refeições. Uso ele para fazer almoço, pela manhã e já deixo o jantar pronto. Faço doce de mamão verde e doce de leite, além de bolo. Vou começar a comercializar esses produtos e ajudar ainda mais na renda da minha casa", explica Karla. Ela também citou outra oficina interessante. "Participei de uma formação de autoconhecimento. A gente teve que desenhar o próprio corpo, mas foi difícil. Nunca tínhamos parado para se conhecer assim, para se entender". Esse processo formativo teve como finalidade fazer com que as mulheres possam se cuidar mais, se olhar mais, compreender os processos que acontecem com seu corpo.

Nos intercâmbios entre comunidades, a agricultora pode conhecer os quintais de outras mulheres, recebendo dicas para manter o espaço sempre produtivo. "Essas trocas são super interessantes e diferentes, porque nós temos a oportunidade de ver quintais que já estão evoluídos e bem feitos, coisas que ainda estão começando aqui. No intercâmbio na casa de dona Ceci eu peguei sementes para plantar também, de seriguela, capim limão e capim santo", lembra a agricultora.

No quintal vistoso de Karla ela já produz milho, banana, macaxeira, batata doce, acerola, pimenta de cheiro, sorgo, pimentão, cebolinha, romã, maracujá, pinha, plantas medicinas, hortelã da folha grande, alface, mamão, quiabo, limão, além de algumas hortaliças. Além disso, foram implantados os cercados para as galinhas e para as cabras, ajudando no controle de locomoção desses animais no terreno. Os produtos fornecidos pelo quintal e produzidos por ela são comercializados em uma quitanda do município.

 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

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