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11/07/2017

Mulheres Pedreiras: o braço forte feminino pelo fim do preconceito no Sertão do Pajeú



Sertanejas se capacitam na construção de cisternas no semiárido pernambucano para ajudar na renda familiar

A mulher é o braço forte de uma casa. É ela quem sempre está à frente dos afazeres domésticos, que cuida da alimentação e que se preocupa com a saúde de todos os integrantes da família, o que significa duplas jornadas de trabalho. Infelizmente, muitas opiniões, principalmente masculinas, ainda possuem um discurso retrogrado de que esse “braço forte” é apenas na teoria. Na compreensão deles, o papel feminino dentro da família deve ser única e exclusivamente esse: a cuidadora do lar e dos filhos.

Indo contra todos os ideais machistas e patriarcais, construídos durante muitos anos em nossa sociedade capitalista, mulheres do Sertão do Pajeú são o exemplo de que a força no braço é explicita e literal. Elas fazem parte do Curso de Formação de Pedreiras promovido pela Casa da Mulher do Nordeste, que conta com a parceria do Programa 1 Milhão de Cisternas, da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA). Após a capacitação no projeto, elas estão aptas a construir Cisternas de Placas, tecnologia criada por um sergipano, há cerca de 50 anos. Essa prática se tornou uma alternativa importante para o progresso do semiárido, em especial no Nordeste, região que enfrenta várias dificuldades causadas pela seca.

A jovem sertaneja Ana Cláudia Oliveira de Lima, 19 anos, da comunidade de Santo Antônio, no município de Carnaíba, é um exemplo a ser celebrado como personagem desse enredo. Depois de passar pela capacitação de uma semana, ela, com ajuda de outras mulheres, construiu a cisterna que abastece sua casa. Além de sentir-se orgulhosa ao falar do seu feito, a moça também reforçou a relevância do seu trabalho para a comunidade e da mudança de pensamento que surgiu com sua nova empreitada. “Me senti muito importante. Eu, construindo cisterna? Não sabia pegar nem em uma colher. Um homem não queria que a gente construísse a dele, mas depois de ver nosso trabalho, ele mudou de ideia”, contou.

A inspiração de Cláudia para colocar a mão na massa foi a agricultora Luzia Porfírio, 46 anos, do município de Solidão, que encontrou na construção dessas cisternas, um meio de vida e uma oportunidade de ajudar na renda familiar. Com o auxílio de Luzia, a moça já ergueu um reservatório em sua própria casa, e deu início a fabricação de mais três em outras comunidades.

O preconceito ainda é um dos empecilhos enfrentados por Cláudia e por todas as mulheres que se propõe a participar do projeto. “Meu esposo é um desses homens que diz que mulher tem que ficar em casa lavando roupa, passando e fazendo comida. Para ele, mulher não sabe fazer esse tipo de coisa, é serviço de homem”, justifica. Porém, com um pensamento de mudança de vida aflorado e latente, a jovem encara as adversidades e se coloca otimista diante das intolerâncias. “Eu me sinto magoada quando escuto essas coisas, porque homem acha que mulher não sabe fazer nada, tem que ficar em casa, só cuidando dos filhos e pilotando fogão. Eu acho que mulher nasceu para fazer o que ela quiser; eu quero ser pedreira e eu vou ser, e ainda vou construir muito, se Deus quiser”, diz esperançosa.

Pela primeira vez participando de um projeto da Casa da Mulher do Nordeste, ela se diz animada em fazer parte do que for necessário para edificar seu status de mulher pedreira na região. “Enquanto tiver cisterna pra construir, eu vou participar”, reafirma. 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

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