curvas

Notícias

30/06/2017

Quintais produtivos transformam vidas de mulheres agricultoras no Sertão do Pajeú



São José do Egito, que fica no Sertão do Pajeú, tem paisagens lindas da caatinga e é conhecida como o Berço da Poesia onde nasceram os/as poetas repentistas e cantadores/as. E, em meio ao bioma, outra paisagem vem chamando a atenção: os quintais produtivos. Por meio deles, mulheres agricultoras vêm produzindo hortaliças, ervas e frutas – que servem para consumo próprio e também para complementar a renda da família.

Os quintais produtivos são áreas que ficam nos arredores das casas usadas para o cultivo de frutas, verduras, ervas e plantas medicinais e para a criação de pequenos animais. Além de garantir alimentação saudável para a família, se tornaram uma fonte de renda extra. No território do Pajeú, o projeto que trouxe melhorias para os quintais de 10 mulheres foi iniciado há um ano e faz parte do Projeto Implantação e Expansão de Quintais Produtivos patrocinado pela Fundação Banco do Brasil, que tem como objetivo o desenvolvimento local sustentável.

Para a educadora da Casa da Mulher do Nordeste, Eliane Rocha, o projeto foi como uma injeção de ânimo para as mulheres da região. “Temos relatos de mulheres que estavam desanimadas, com baixa estima por causa da seca e sem perspectivas de melhoras. E, o que a gente vê hoje é uma vibração e empoderamento de vê que tudo pode mudar”, comemora a técnica ao falar que agora elas são reconhecidas e estão mais felizes. “Elas vendem na feira, melhoraram sua alimentação e a da família”, acrescenta. “Eu era muito acomodada, e o meu quintal era longe de casa, com a chegada do projeto pude trazer para mais perto e com conhecimentos da assessoria passei a plantar melhor as minhas ervas e hortaliças. Com as práticas de cobertura morta e a criação de novos canteiros. Também vendia a galinha para comprar o milho, e agora já aprendi que não precisa, com a forrageira posso produzir o alimento das galinhas. E assim pretendo aumentar a produção do meu quintal”, disse Joselma Vasconcelos, 28 anos, da comunidade de Fortuna, em São José do Egito.

Além de trazer motivação para as agricultoras, os quintais produtivos têm sido aliados importantes no aumento da renda familiar. “Meu quintal melhorou muito, só esta semana vendi 50 ovos e 36 mói de coentro, já com a produção do novo quintal. Levo para a feira de Tuparetama e também vendo a vizinhança leite e queijo. Futuramente vou levar o couve, cebolinha, pimenta, pimentão, alface e jerimum”, ressalva Joselma.

Quem também já está comemorando o avanço da agricultura em suas propriedades é a agricultora Ariane Souza, de 47 anos, da comunidade de Monte Alegre, em Afogados da Ingazeira. Com o auxílio das ferramentas dos kits do projeto, aumentou a produção de hortaliças, frutas e dos pequenos animais. “Meu quintal melhorou muito, aprendi como lidar com as plantas, o manejo e a fazer comida para as galinhas. Aprendi a juntar casca de ovo e cinza de fogo, fazer a farinha e fica tipo um adubo para as plantas. E muito mais coisas”, relembra Ariane que também participa do projeto.

Para a CMN é estratégico tratar esses espaços como Quintais Produtivos para dar a eles e às mulheres, que são majoritariamente as responsáveis por esse local e sua produção, a visibilidade que merecem pela contribuição que têm dado para a produção de alimentos (em geral para o autoconsumo) e para a preservação de sementes de diferentes espécies, através do uso racional das águas. “A bomba veio, e foi boa por que agora é maior, enche a caixa toda. Mas cuido da água e com isso consigo molhar as laranjeiras, o milho, batata, girassol, manga, caju, graviola, quiabo, feijão guandu. E ainda vou aumentar para 10 canteiros, após a retirada dos milhos”, contou.

Além da assessoria, o projeto ofereceu kits compostos por sementes de hortaliças, mudas frutíferas, forrageiras, carroça, pá, enxada, telas de arame galvanizado, construção de galinheiros, pulverizador de 5 litros, sementes de guandu, girassol e sorgo, bomba submersa e motor a gasolina, entre outros materiais para fortalecer o trabalho e consequentemente a produção dessas mulheres sertanejas.
 

Emanuela Castro, Núcleo de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

voltar
curvas

Redes Sociais

FacebookTwitter

Participe