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28/06/2017

Intercâmbio do Banco de Sementes promove troca de saberes em Triunfo

A comunidade de Curralinho foi a escolhida para sediar o encontro, que contou com agricultoras(es) de oito bancos de sementes

Já não é uma prática recente: armazenar sementes crioulas já pode ser considerado uma tradição habitual entre o povo do Sertão. Pelas mãos firmes e habilidosas de sertanejas e sertanejos, os ensinamentos passados de geração em geração garantem a sobrevivência de diversas espécies, importantes não somente para o território, mas para toda a humanidade.
Através do intercâmbio realizado nesta terça-feira (27) para a troca de experiências entre municípios do Sertão do Pajeú e do Araripe, promovido pela Casa da Mulher do Nordeste, foram discutidos temas relevantes para o cultivo, plantio, preservação de sementes e a gestão dos bancos. O encontro, realizado na comunidade de Curralinho, teve o intuito de proporcionar a independência e autonomia das agricultoras e agricultores que produzem alimentos, exercem o manejo de plantas e trabalham com a produção de mudas.
Representantes dos bancos das comunidades de Mendes, Forte Quixaba, Retiro, Passagem de Pedra, Pote, Lagoa Comprida, Aboboeira e Fazenda Morcego; da Casa da Mulher do Nordeste e da Universidade de Serra Talhada/ UFRPE promoveram uma roda de debates durante a reunião. Além das experiências compartilhadas, os presentes levantaram questionamentos a cerca da importância da agroecologia para o futuro da manutenção dos bancos, a economia solidária como condutora de uma nova dinâmica dentro das comunidades, sobre a divisão de gênero nos trabalhos domésticos, e na atuação das coordenações desses bancos. Para a agricultora Raimunda Queiroz, 52 anos, fundadora da Associação de Moradores da comunidade de Curralinho, o banco de sementes é sinônimo de transformação. “Tínhamos dificuldades de plantar quando chegava o tempo. A Casa da Mulher do Nordeste e o Sabiá vieram aqui e perguntaram se tínhamos interesse em montar o banco de sementes. Aceitamos e foi muito bom, porque a pessoa que não tem a semente quando chega a época, pega aqui e planta”, disse. Outro ponto levantado por ela foi a participação das mulheres nesses espaços. “As mulheres ainda tem receio de sair de casa, são associadas, mas tem dificuldades em participar das reuniões. Elas são daquele tempo antigo. Dizem que não vem por não ter tempo, e que tem que cuidar dos serviços de casa. Sempre que estou na associação, incentivo a vir para esses encontros, pois eu sei que temos que ter a igualdade que os homens tem”.
Diferente das demais, o Banco da comunidade de Quixaba ainda está em construção, e participou pela primeira vez do intercâmbio. Segundo a agricultora Marciana Rodrigues Morato, 32 anos, da comunidade de Sítio Forte, o banco de sementes é uma oportunidade única. “Estamos começando agora lá onde eu moro, mas eu acredito que vai ser muito bom para gente, além de ser uma experiência nova. Aceitei assim que soube”, afirma. Ela ainda conta sobre o que pretende para o futuro. “Está começando agora, mas pretendemos, além do feijão e do milho, guardar jerimum, andu, entre outras”, finaliza.
O banco é imprescindível para a agricultura familiar e agroecológica, pois assegura a liberdade de não ter que usar sementes transgênicas e agrotóxicos nos seus quintais, tendo dessa forma uma independência da compra de sementes que podem estar modificadas, além de garantirem um alimento saudável para suas famílias.
O agricultor Sebastião Alves, da comunidade de Sítio Lagoa Cumprida, do município de Ouricuri, falou sobre o desafio de manter atualmente as sementes nativas. “Nós precisamos imitar a natureza para garantir o futuro das nossas espécies de sementes e recuperar nossa caatinga”. O sertanejo também compartilhou as experiências da sua comunidade com o banco de sementes. “O projeto vem como apoio na questão da estrutura. É um programa que tem o objetivo de fazer uma resistência na preservação de um patrimônio da humanidade, que são as sementes crioulas. Ela não tem um dono, é uma herança de todos nós”, justificou.
 

Bruna Suianne, Núcleo de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

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