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13/06/2017

Guardiãs da Caatinga - Mulheres trocam experiências sobre a preservação do bioma



Seminário fez parte das atividades da Semana do Meio Ambiente do Sertão do Pajeú

Cerca de 100 mulheres se reuniram na última quinta-feira (08), no Seminário O Desmatamento e os Impactos na Vida das Mulheres, realizado pela Casa da Mulher do Nordeste e parceiros do XV SEMEIA, em Tabira, Sertão do Pajeú, para discutir sobre a problemática do desmatamento, principalmente do bioma caatinga na região, e como suas práticas podem contribuir para diminuir esse impacto. Na comunidade de Bom Sucesso, por exemplo, ainda há desmatamento causado pela construção da barragem e da pedreira. "Estão tirando todas as árvores ao redor do rio", denunciou uma das agricultoras da comunidade.

As mulheres tem um papel fundamental na preservação dos recursos naturais e da manutenção da vida. Cuidam da produção e reprodução, mas esse trabalho pouco é visibilizado e valorizado. Durante a mesa do seminário, Sara Rufino, técnica educadora da Casa da Mulher do Nordeste chamou atenção para a desigualdade da divisão sexual do trabalho doméstico e como isso impacta no cuidado com o meio ambiente e na vida das mulheres. Para Riva Almeida, do Centro Sabiá, as mulheres agricultoras são guardiãs do meio ambiente e estão prestando um serviço para as áreas urbanas. "Quando estou guardando água, também estou guardando para a cidade. Isso é gestão da água. E para garantir essa dinâmica, é preciso garantir políticas públicas no campo, como uma educação contextualizada, resgate e preservação das sementes crioulas, protagonismo e participação política de jovens e mulheres, acesso à água de qualidade, gestão do conhecimento, entre outros", afirma. A mesa também contou com a presença de Ana Cristina, da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, Lorena Moraes, professora da UAST/UFRPE, e representantes da Diaconia e do Sindicato de Trabalhadores(as) Rurais de Tabira.

A programação contou ainda com a apresentação de Bernadete Antônia e sua experiência com a tecnologia de reuso de águas cinzas, com destaque para a assessoria da Casa da Mulher do Nordeste que tem contribuído para seu desenvolvimento como agricultora e mulher. A experiência inspirou outras mulheres a falar sobre suas vivências e dificuldades que enfrentam no cotidiano contra o machismo. A exemplo da agricultora Luzia Simões, que colocou contou sua trajetória como pedreira, que historicamente é um trabalho desenvolvido por homens, e hoje já se identifica e tem orgulho de dizer que foi com incentivo e formação da Casa da Mulher do Nordeste. Dona Zilda, se animou e trouxe sementes da comunidade, para distribuir com outras mulheres, e explicou sobre seu uso e a prática agroecológica.

Durante o encontro as mulheres destacaram algumas ações que estão realizando no combate ao desmatamento, como: não utilizar carvão para o cozimento de alimentos e deram como alternativa o uso do fogão agroecológico, desenvolvido pela CMN, o reflorestamento do bioma caatinga com plantas nativas, conscientizar os homens para a necessidade da caatinga viva, não poluir os rios, o uso de defensivos naturais. "Conscientizar não é fácil, por que temos uma cultura. Meu pai tem 70 e poucos anos, e ele tem a mania de estocar para queimar, e não é fácil convencer. Mas estamos eu e minha mãe na luta para que ele deixe de fazer isso", contou uma das agricultoras.

Da Assessoria de Comunicação da CMN

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